terça-feira, 9 de setembro de 2008

CYBER@FETO

Jonas é um cara de 20 anos. Trabalha durante o dia numa empresa de suporte técnico, prestando, por telefone, informações às pessoas que têm problemas com um provedor de internet. À noite, estuda numa faculdade no centro da cidade, mas distante do local de trabalho, fazendo com que tenha que apanhar o metrô ou um ônibus. Todos os dias, sai de casa por volta das 08:00 e retorna lá pelas 23:00.
Na empresa que trabalha, Jonas ocupa um box, dentro de uma célula, dentre tantas outras que ocupam um andar inteiro. Só em seu setor, Jonas compartilha o espaço juntamente com aproximadamente 300 pessoas.
Dentro de seu box, Jonas não vê o tempo passar, já que, cercado por paredes, sequer mantém contato visual com outras pessoas. Em frente ao monitor do computador e com um fone de ouvido, Jonas trabalha 6 horas por dia, com um pequeno intervalo de 15 minutos para ir ao banheiro e tomar um café, o que, raramente o faz na companhia de alguém, já que todos geralmente têm metas a cumprir.
Quando chega em casa, Jonas mata a saudade dos amigos. Senta-se em frente ao seu computador e, em chats, e-mails e listas, fala com todo mundo. Chegou inclusive a colocar seu perfil numa lista da internet, com o objetivo de fazer novos amigos. Vê fotos de outras pessoas, troca informações sobre filmes, músicas, livros e participa de comunidades.
Quando alguém faz aniversário, por exemplo, manda um scrap ou um mail. Quando chega o seu, os recebe.
Assim, Jonas passa seus dias, nas aulas, no trabalho, nos estudos e no computador. De vez em quando, vai ao cinema ver um filme que acabou de ser lançado. E, às vezes, encontra seus amigos pessoalmente, o que é muito pouco freqüente, dados os compromissos que tem que cumprir, assim como todas as outras pessoas.
O contato com os amigos normalmente é feito pela internet. Afinal, aí se tem um lugar para "matar" as saudades e demonstrar carinho, ainda que de forma virtual. Para mandar Bjs e Abs, basta teclar ou usar o mouse.
Afinal, pra que telefone, cartas ou contatos físicos se estamos em tempos de "cyberafeto".

Um comentário:

Aline Marta Bernardo disse...

Olá Primo,

Realmente é muito interessante, e eu diria muito triste!
Fico muito curiosa sobre o que estamos experimentando nesses tempos. Nunca passamos, na história da humanidade, por nada parecido com o que nos está acontecendo... O que será de nossas mentes amanhã?! Como serão desenvolvidas nossas personalidades?! Quero corrigir..As nossas estão formadas, podemos conviver com isso até o fim dos nossos dias. Mas nossos filhos que já nascem nesse meio e não conhecerão a outra forma de contato, onde os amigos se encontravam com muita frequência, havia programas em conjunto, havia SOCIALIZAÇÃO!
Me preocupo enquanto psicóloga, mãe, ser humano!
O que será de nós?!

Beijo
Aline